
Por: Filipe Mateus e Marcos Tadeu
Matéria redigida em dupla feito por dois jornalistas amantes de séries e filmes
Escrita por Lucas Paraizo e produzida pelo GloboPlay, “Os Outros” aborda temas importantes como a dificuldade contemporânea do diálogo e como a falta de comunicação afeta os moradores de um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Na trama, quando dois moradores do subúrbio se mudam para um residencial de luxo, coisas estranhas começam a acontecer. Com a relação difícil entre seus filhos, chegar a um acordo para viver em harmonia não será fácil.
Assim, uma busca pela verdade é instaurada no prédio. Os protagonistas não conseguem defender seus filhos sem entrarem em contradição, deixando os outros moradores em uma situação delicada.
A série pergunta ao espectador até onde você está disposto a ir para ter razão e como a falta de sabedoria pode atrapalhar a vida das pessoas, especialmente quando as relações pessoais não são colocadas em primeiro lugar.
Com um elenco versátil e dinâmico, temos Adriana Esteves, Milheen, Maeve Jinkings, Thomas Aquino, Antônio Haddad, Eduardo Sterblitch, Drika Moraes, Gi Fernandes, Paulo Mendes, Guilherme Fontes, entre outros, que trazem uma narrativa envolvente e que toca o espectador.
Explorar os impasses familiares mostra a importância de um lar com amor e respeito, mudando pensamentos machistas que ainda permeiam de geração a geração.
O grande destaque positivo, sem dúvida, vai para Eduardo Sterblitch, que consegue sair de personagens de comédia e ser um vilão ameaçador com um olhar de pessoa prestativa. O roteiro também consegue ser ágil ao expor um problema, tentar resolvê-lo e já criar outros conflitos entre os moradores, fazendo com que a narrativa flua de forma orgânica com o acúmulo de acontecimentos e desavenças dentro da comunidade.
O motim dos acontecimentos na série ocorre por um desentendimento entre Marcinho (Antonio Haddad) e Rogério, durante uma partida de futebol no condomínio, resultando em futuras brigas entre seus pais.
O roteiro também brinca com a questão da própria palavra “os outros” e “sou”, partindo de uma perspectiva de que cada personagem observa o mundo à sua volta com um ar misterioso e como ele se relaciona com os outros a partir da própria perspectiva. A narrativa acerta ao trabalhar com essa dualidade, fazendo com que amemos um personagem e, ao mesmo tempo, o odiemos. É o caso de Cibele (Adriana Esteves), que toma uma atitude drástica com o carro de seu vizinho e arqui-inimigo Wando (Milhem Cortaz), e ao mesmo tempo se mostra disposta a ouvir e entender as dores do filho, mas em nenhum momento parece estar disposta a se relacionar com o seu próprio marido, Amâncio (Thomas Aquino). Essa dualidade chama a atenção na forma como cada personagem é conduzido de maneira gradual, tornando o condomínio um para-raios de problemas entre a própria vizinhança.
Em termos técnicos, podemos reparar como os ângulos e planos fogem do comum, e como muitas vezes mostram uma situação filmada de um ângulo torto focado em um único personagem. Essa preocupação estética também agrega à narrativa, mostrando a situação de maneira mais invisível, porém ainda presente. Luisa Lima, diretora artística, faz isso com maestria.

Há também a questão de personagens parecidos e, ao mesmo tempo, muito distantes. Enquanto Cibele e Wando representam personagens intensos em sua forma de resolver conflitos, apelando muitas vezes para a agressão física e verbal, Mila (Maeve Jinkings) e Amâncio representam exatamente o oposto, preocupando-se com o diálogo e até a linguagem do amor. Há até uma traição entre Amâncio e Mila, pois ele não se sente acolhido por sua esposa e encontra esse acolhimento em Mila, que compartilha do mesmo sentimento em relação ao marido.
O que deixa a desejar muitas vezes, principalmente em seu encerramento, são alguns artifícios de roteiro bobos e sem graça. Se ao longo da série somos bombardeados com vários encerramentos que nos deixam ansiosos para assistir ao próximo episódio, agora vemos saídas de roteiro que pouco empolgam, especialmente em suas cenas finais.
Em vez de ser algo grandioso para uma segunda temporada, muitas vezes soa como algo covarde. Adriana Esteves é uma excelente atriz, mas confesso que ver a atriz sempre interpretando mães protetoras e assumindo a fama de má em vários papéis seguidos cansa o telespectador. Seria interessante vê-la em papéis de mocinha ou até coadjuvantes, mas ela sempre recebe o papel de vilã.
“Os Outros” sem dúvida se consagra como uma boa série do ano de 2023. Resta saber se sua continuidade ficará no nível da primeira temporada ou abaixo do esperado, mas a série consegue arrancar muitos sentimentos do público sobre uma realidade que existe em condomínios de luxo, mas que nunca foi debatida de forma tão aprofundada.
O Que Esperar da Segunda Temporada de “Os Outros”

Com data prevista para chegar ao Globoplay em 15 de agosto, a segunda temporada promete acrescentar novos rostos e trazer mais dinamismo à série. Letícia Colin, Luis Lobianco, Sergio Guizé e Mariana Nunes chegam para trazer novidades aos seus núcleos e movimentar a trama. A premissa dessa segunda temporada é mostrar personagens com passados ainda mais traumáticos, mais frios e calculistas, e abordar as consequências do que ficou da primeira parte: o perdão. Vimos um pouco disso no final da primeira temporada, quando Cibele aceita receber sua nora em casa, acompanhada de sua mãe, para um almoço com a chegada do bebê de Lorraine (Gi Fernandes), e como essa relação se desenvolverá no futuro.