“A Substância”: Entre o Corpo, a Beleza e o Monstro Interior

“A Substância”, dirigido por Coralie Fargeat e distribuído pela Mubi Filmes, já está em cartaz nos cinemas. A obra explora questões de etarismo, beleza e terror, trazendo uma reflexão profunda sobre o verdadeiro significado da estética. Ela revela como, muitas vezes, a beleza está atrelada à necessidade de viver segundo a opinião dos outros, em vez de seguir a própria essência e percepção.

Na trama, Elisabeth Sparkle (Demi Moore), renomada por seu programa de aeróbica, enfrenta uma situação delicada ao ser demitida por seu chefe. Em meio ao desespero, ela recebe uma proposta tentadora de um laboratório: experimentar uma substância que promete transformá-la em uma versão aprimorada de si mesma. Depois de passar por essa experiência, surge Sue ( Margaret Qualley), uma versão nova e mais ambiciosa de Elisabeth, determinada a viver seus sonhos e alcançar o sucesso. No entanto, sua busca implacável pelo topo a faz perder de vista o verdadeiro significado de felicidade.

O longa, que poderia explorar melhor a narrativa do amor próprio, acaba pecando ao misturar muitas ideias em seu enredo. Em certos momentos, o espectador se sente confuso, tentando compreender o real significado de aceitação. Ainda assim, “A Substância” é um deleite sensorial. É atípico assistir a um filme onde os sentidos assumem um papel tão importante. Além de criticar os padrões estéticos, a obra expõe como a busca pela beleza máxima pode ser prejudicial, mostrando que, no fundo, o verdadeiro “monstro” reside na capacidade humana de querer ser algo que, no íntimo, sabemos que não precisamos ser.


O uso do gênero “Body Horror”, que se vale de cenas explícitas e corporais, pode causar desconforto nos espectadores, sobretudo ao abordar uma temática tão delicada. Como muitas mulheres podem perceber, a narrativa deixa de focar na busca pela felicidade, priorizando apenas uma visão superficial sobre beleza. A narrativa do filme reforça os limites físicos, corporais e emocionais que tendem a cruzar o caminho de pessoas que buscam apenas uma aparência superficial.

O longa pode ser um dos possíveis indicados ao Oscar de 2025, especialmente pela atuação de Demi Moore, que, com sua performance, merece uma indicação de Melhor Atriz na minha opinião. Com uma interpretação envolvente, ela transmite a luta interna de quem se vê consumido pela busca incessante por mudança.

De modo geral, não há como não mergulhar na história retratada, que, apesar dos pontos fortes, peca por não apresentar um clímax mais marcante, o que poderia ter elevado a experiência da obra.

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