
Dirigido por Mohammad Rasoulof, “A Semente do Fruto Sagrado”, já está em cartaz nos cinemas de todo Brasil. O longa que expõe o autoritarismo, revela como a política de massa, afeta a relação familiar.
Em um período de agitação política no Teerã, o recém-promovido juiz de instrução, Iman (Missagh Zareh), se vê pressionado. Sua arma some e ele é tomado por uma paranoia, desconfiando até mesmo da família.
Apesar da proposta interessante, o filme sofre com um ritmo lento e uma trama previsível. A falta de narrativa, deixa a desejar para o espectador que esperava mais do enredo.
Com um elenco estelar, Missagh Zareh (Iman), Soheila Golestani (Najmeh), Mahsa Rostami (Rezvan), Setareh Maleki (Sana) e Niousha Akhshi (Sadaf) trazem profundidade aos personagens, contando uma história de guerra e tensão.
A trilha sonora, composta por Kazama Hamoud, exerce um papel fundamental na atmosfera do filme. Composta por faixas como The Briar, Larry, The Goonies, Lonely, Sackette, Fig, a música complementa a narrativa, intensificando as emoções e também os conflitos internos de cada personagem.

O filme foi escolhido pela Alemanha para representar o país na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, destacando seu reconhecimento global.
Uma curiosidade interessante é que o diretor Mohammad Rasoulof, conhecido por suas obras que criticam o regime iraniano, enfrentou uma perseguição política e foi condenado a oito anos de prisão. Ele conseguiu fugir do país e se abrigou na Europa, onde continuou seu trabalho artístico.
O filme aborda temas como ansiedade e depressão de forma direta. O protagonista, imerso em seus próprios conflitos, acredita que sua própria família é responsável por sua mudança de caráter, refletindo questões na sociedade contemporânea.

A trama é uma coprodução entre o Irã, Alemanha e França, refletindo a colaboração internacional na produção de filmes que abordam as políticas e questões sociais de seus respectivos países.
A fotografia do filme utiliza espaços confinados para intensificar a sensação de claustrofobia e paranoia do protagonista. Essa escolha estética reflete a opressão e isolamento do personagem, contribuindo para a imersão do espectador na realidade do filme.
Vale a pena conferir “A Semente do Fruto Sagrado” nos cinemas. O filme explora autoritarismo, política e identidade, além de revelar as cicatrizes e memórias do passado.