
Uma nova versão de “Branca de Neve” que tenta trazer algo diferente, mas acaba perdendo o encanto original.
Longe da magia e repleto de romantização, “Branca de Neve”, filme estrelado por Rachel Zegler, já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. Distribuído pela Disney Pictures, o longa se afasta da verdadeira história da princesa, transformando-se em uma licença poética.
Na trama, há uma recriação do clássico animado de Walt Disney de 1937, sobre uma jovem princesa que, enquanto é perseguida por uma rainha ciumenta, busca refúgio em uma cabana habitada por anões.
Um dos pontos negativos são as mudanças em relação ao filme original. Na nova versão, o príncipe agora é um ladrão, e os sete anões perdem sua importância na história, chegando a perder até mesmo seus nomes no título.
Além disso, o filme é repleto de números musicais que não acrescentam nada à narrativa. O enredo é mal explorado e parece que toda a magia desapareceu. O espectador não encontra mais o encanto de antes, tornando-se uma grande decepção.

Gal Gadot, que interpreta a Rainha Má, não consegue explorar bem a essência da vilã, se perdendo no meio do caminho. Além disso, o figurino é completamente equivocado, com tons de verde, destoando da imagem icônica da personagem. Sua atuação não transmite com precisão as intenções da vilã nem os sentimentos que marcaram a personagem no passado. Talvez fosse mais interessante ver Julia Roberts no papel, já que ela brilhou ao interpretar a Rainha Má em “Espelho, Espelho Meu”.
O elenco, composto por Rachel Zegler, Gal Gadot, Andrew Burnap, Martin Klebba, Ansu Kabia, Misa Koide, Charlotte Skal, Colin Michael, Carmen Schaal, Patrick Page, Josmaine Joseph, Edson Bursch, Deanna Nolan, Luisa Guerreiro, Andrew Barth Feldman, Jeremy Zweit, Titus Burgess, Lorena Andrea, Kuki Kono, entre outros, tenta trazer um pouco de drama para a história, mas o enredo não colabora. Não é uma questão de atuação, mas sim de como construir a narrativa sem fugir da essência da princesa.
Porém, um dos pontos positivos do filme são os bichinhos, que representam muito da essência da personagem principal. A relação dela com a natureza e, principalmente, com os animais é retratada de forma idêntica à primeira versão. Isso é um dos poucos pontos altos do filme que permanecem fiéis à obra original, garantindo uma conexão com o encanto que ela sempre teve.

Para você ter uma ideia da recepção do filme, a adaptação estreou com uma pontuação de 45% no Rotten Tomatoes, com base em 51 críticas profissionais, o que classifica o longa como “Rotten” (podre) no site. Esse desempenho coloca o filme como a terceira pior adaptação live action da Disney no ranking de Rotten Tomatoes, à frente apenas de Pinóquio de 2022 com 27% e 101 Dálmatas de 1996 com 39%.
Com um orçamento estimado em 250 milhões, as projeções de bilheteira para o fim de semana da estreia nos Estados Unidos variam entre 37,5 e 53 milhões, o que seria um desempenho preocupante para o blockbuster desse porte.
Outro ponto negativo é o final do longa. Sem dar spoilers, parece que a Rainha Má não tem tanto poder como parece. Ela fica perdida, é um filme pequeno, chato, capenga. Você espera uma reviravolta e recebe o final do Crepúsculo, que era tudo mentira.

Será que vale a pena assistir a esta versão de “Branca de Neve” nos cinemas? O longa, que prometia ser um clássico, não consegue capturar a magia de 1937 e se afasta demais da história original. Não se trata de criar uma obra poética, mas de manter os elementos essenciais para uma narrativa envolvente. Faltou equilíbrio, principalmente ao tentar reinventar algo que já era tão único. Às vezes, não é bom mudar algo antigo quando não se tem algo novo para propor.