“A Mais Preciosa das Cargas” – Um retrato sensível e necessário sobre tempos de guerra.


Uma história de guerra, afeto e resistência.

Dirigido por Michel Hazanavicius, “A Mais Preciosa das Cargas”, animação distribuída pela Paris Filmes, estreia na próxima quinta-feira (17) nos cinemas de todo o Brasil. O longa explora o retrato da guerra na vida de cada indivíduo, além de tocar o espectador com a realidade em preto e branco vivida por aqueles que ainda não encontraram o significado de amar.

A trama se passa durante uma época de guerra, quando um casal de lenhadores vive em uma floresta. A vida do casal é dura, marcada pelo frio, pela fome, pela pobreza e pelas tragédias do conflito. Um dia, a mulher encontra um bebê que foi atirado de um trem e decide resgatá-lo.

Um dos pontos altos do filme é a forma como ele expõe o preconceito da época. Durante a guerra, muitos homens acreditavam que os “sem coração” eram os que estavam aprisionados no campo de batalha. Porém, ao julgar os outros, esses homens mostravam não ter compaixão, e muito menos humanidade.

Em tempos em que a liberdade de expressão é silenciada, somos levados a nos reconhecer na protagonista, perdidos entre a falta de afeto, a ausência de amor e a busca constante por uma razão de esperança em meio à sociedade.

A trama tem um desfecho filosófico e também existencialista, evitando maniqueísmos e julgamentos fáceis. O filme provoca sentimentos intensos e, ao mesmo tempo, pergunta sobre o valor que damos à nossa própria existência.

Com sua estreia mundial no 77º Festival de Cinema de Cannes, o longa foi o primeiro a competir pela Palma de Ouro desde “Waltz with Bashir”, de Ari Folman, em 2008.

Com um elenco estelar que conta com Dominique Blanc, Gregory Gadebois, Denis Podalydès, Serge Hazanavicius, Antonin Maurel, Laurent Bateau, entre outros, a animação mostra como cada ator traz carga dramática aos personagens. Não é apenas dublagem; há empatia por cada figura retratada.

A trilha sonora, assinada por Alexandre Desplat, tem papel fundamental na narrativa. Ela traduz os sentimentos da mulher e da criança, mas também conecta esse afeto à dor da guerra.

Mesmo não sendo baseado em uma história real, o filme evoca sentimentos semelhantes ao “O Diário de Anne Frank”, porque ambos compartilham o contexto da Segunda Guerra Mundial e abordam a busca por dignidade em tempos difíceis.

Vale a pena conferir “A Mais Preciosa das Cargas” nos cinemas de todo o Brasil. A animação não é apenas um filme dramático que emociona, mas também retrata a realidade de milhares de pessoas que viveram situações parecidas durante a guerra.

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