
Um retrato emocionante de superação, amizade e luta contra preconceitos.
Dirigido por Yasmin Thainá e Jorge Furtado, “Virginia e Adelaide” estreia dia (8) de maio nos cinemas de todo o Brasil. Estrelado por Sophie Charlotte e Gabriela Correa, o longa-metragem explora diferentes perspectivas sobre a psicanálise, além de contar uma história que atravessa o Brasil e a Alemanha.
Na trama, é importante entender quem foram essas mulheres. Virgínia (Gabriela Correa) enfrentou o racismo, a pobreza e o preconceito por ser uma mulher negra no Brasil, enquanto Adelaide (Sophie Charlotte) fugiu do regime nazista em busca de uma nova vida. Histórias distintas, mas conectadas por lutas contra a exclusão e o silêncio sobre tabus sociais.
Um dos pontos altos do filme é mostrar como o preconceito se manifesta em diferentes lugares e formas. Pelo racismo, pela exclusão e pela tentativa constante de silenciar histórias. A obra escancara feridas sociais que atravessam gerações e ainda ecoam nos dias de hoje.
O filme também aborda questões de desigualdade social no Brasil, evidenciando como a falta de oportunidades afeta a vida de muitas pessoas, especialmente da população preta, e reforça a importância da erradicação da pobreza.

A história se concentra nas duas protagonistas, mas a falta de personagens coadjuvantes limita a profundidade da trama. Se o enredo tivesse mais pessoas como familiares e amigos, poderia enriquecer ainda mais a narrativa.
O filme utiliza um formato que mistura imagens de arquivo com cenas encenadas, criando uma atmosfera que remete tanto a um documentário quanto a um filme ficcional. Essa combinação dá ao público a sensação de estar vivendo e testemunhando uma parte importante da história do Brasil.
O longa foi produzido com um orçamento relativamente baixo, mas a aposta foi na qualidade da atuação das atrizes e na construção de um universo que retrata a época e também os personagens. A direção cuidadosa de Yasmin Thayná e Jorge Furtado garante que a história seja contada com precisão e sensibilidade.

O filme estreou no Festival de Cinema de Gramado em 2024 e foi selecionado por outros festivais importantes, como a Amostra Internacional de Cinema em São Paulo.
A trilha sonora do filme, dirigida por Maurício Nader, é um elemento crucial, pois conta a história do encontro de duas pioneiras da psicoterapia, mas também reforça a sororidade, quando mulheres se apoiam e defendem seus direitos.
Vale a pena conferir “Virginia e Adelaide” nos cinemas. O longa explora o nascimento da psicanálise no Brasil, mas também evidencia como tabus e preconceitos sociais podem afetar pessoas em diferentes projeções ao redor do mundo.