“Oh Canada”: Um Retrato Introspectivo de Pura Monotonia

Mentir é uma tarefa fácil, agora contar a verdade pode ser desafiador. Dirigido por Paul Schrader e estrelado por Richard Gere e Jacob Elordi, “Oh Canada” já está em cartaz nos cinemas de todo Brasil. O longa explora em flashback a vida do protagonista, que ganha uma biografia na televisão, revelando seu caráter e sua falta de princípios.

Na trama, escolhendo revelar as verdades e mentiras de sua vida e carreira, um cineasta doente se senta para uma entrevista longa e sincera com um ex-aluno.

O diretor Paul Schrader escolheu adaptar o livro de Russell Banks devido à situação de saúde do autor, que também estava escrevendo sobre a mortalidade. A conexão entre ambos tornou o projeto ainda mais pessoal e sensível.

O filme marca o reencontro de Paul Schrader e Richard Gere, que já haviam trabalhado juntos em “Gigolô Americano”. Décadas depois, a parceria se renova em um projeto profundo e intimista.

Um ponto negativo é como o filme explora apenas os momentos baixos do personagem, como mentiras, amantes, e traição. Acaba que você não consegue ter empatia pelo protagonista, apenas ranço.

A trilha sonora do filme apresenta músicas lo-fi de Matthew Houck, conhecido como Phosphorescent. Schrader escolheu esse estilo para criar uma atmosfera anti-hino, alinhando-se ao tom introspectivo e melancólico da obra.

Além do romance de Banks, Schrader se inspirou na obra “A Morte de Ivan Ilitch”, de Tolstói, e no filme “Cries and Whispers”, de Tarkovsky. Essas influências ajudaram a moldar a narrativa introspectiva e filosófica do filme, que explora temas de arrependimento, identidade e legado.

Para representar as diferentes épocas da vida de Leonard Fife, o diretor de fotografia Andrew Wonder utilizou estilos visuais distintos: o presente é filmado em cores com iluminação sombria; a viagem ao Canadá traz cores mais vibrantes, lembrando o estilo de “Fat City”; as memórias são filmadas em preto e branco; e a visita ao Canadá é retratada em tons alaranjados, inspirados em “Cries and Whispers”, de Bergman.

Com um elenco estelar que inclui Richard Gere, Jacob Elordi, Uma Thurman, Kristine Froseth, Michel Imperioli, Caroline Dhavernas e Jake Weary, o filme tenta explorar uma narrativa dramática, mas peca ao focar apenas nos momentos difíceis do protagonista, deixando de lado seus momentos felizes.

Vale a pena conferir “Oh Canada” nos cinemas? Com todo respeito, não recomendaria. Apesar da tentativa de criar uma narrativa sensível sobre o cineasta, o filme foca demais nos momentos negativos e acaba tornando a experiência monótona, deixando de mostrar a complexidade do personagem.

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