
Do subúrbio carioca para o mundo, Thiago Soares, amante do break dance e hip hop, fez uma jornada incrível: de São Gonçalo a Paris, passando pela Rússia. Ele viveu sua paixão pelo balé, pela qual se apaixonou aos 15 anos. E, como uma boa história vira filme, “Um Lobo Entre os Cisnes”, longa distribuído pela Vitrine Filmes, estreia na próxima quinta-feira, (24), nos cinemas de todo o Brasil. Matheus Abreu dá vida a Thiago Soares, explorando com delicadeza a trajetória de um dos maiores bailarinos do mundo.
Um dos pontos altos do filme é, sem dúvida, a forma como ele escancara o preconceito vigente na década de 90 – e que, infelizmente, ainda persiste na sociedade atual. “Um Lobo Entre os Cisnes” aborda diretamente como o homem ainda é julgado no Brasil por escolher fazer arte, especialmente uma arte como o balé, que desafia estereótipos.
O Teatro Municipal surge como um personagem crucial na história de Thiago. Por um bom tempo, esse palco icônico, que é também um valioso patrimônio cultural do Rio de Janeiro, tornou-se a verdadeira casa de Soares, onde sua arte floresceu e foi vivida intensamente.
Outro destaque é a performance de Dário Grandinetti, que interpreta Dino Carrera no longa. O ator não apenas se entrega ao personagem, mas evidencia seus trejeitos, falas e vestimentas, transformando-se literalmente na alma brilhante do balé clássico vivido no Brasil.

Temas sensíveis como o HIV também são explorados no longa, o que traz uma importante prestação de serviço como narrativa central. Anos atrás, falar de AIDS ainda era um tabu, e a falta de informação e cura vagava na incerteza de respostas. É exatamente essa complexidade que o filme explora de forma linda e necessária.
A profundidade da interpretação é notável. Tato, William, Ângelo e até gêmeos idênticos foram vividos também por Matheus Abreu, que agora interpreta Thiago Soares. Não apenas na interpretação, o ator demonstrou um mergulho profundo na história do bailarino, que em meio a desafios superou medos e preconceitos para viver a arte do balé clássico.
Essa força de evidenciar o cinema nacional é vista frequentemente no filme. Mesmo com a pandemia e a falta de recursos, a direção não parou de acreditar, e anos depois, a obra sai do papel e vai para as telonas, emocionando o espectador.


Marcos Schechtman e Helena Varvaki, diretores do longa, exploram com delicadeza a vida de Thiago em uma cinebiografia que é um verdadeiro diário de vida e arte. Eles conseguem mostrar a importância do balé não apenas dentro, mas também fora do Brasil, consolidando a narrativa de superação e dedicação.
Portanto, vale a pena conferir “Um Lobo Entre os Cisnes” nos cinemas de todo o Brasil. Seja pela cultura, pela dança, pela música ou pela interpretação, o filme reforça que viver do que se ama é imprescindível para uma vida feliz.
E falar sobre felicidade, lutas e vitórias é, sem dúvida, falar sobre Matheus Abreu e a inspiradora trajetória de Thiago Soares.