“O Deserto de Akin”: Um Grito de Esperança e Resistência


Nem todos prezam pela saúde e pela família, mas quando um médico cubano chega ao Brasil pelo programa “Mais Médicos”, a esperança e a cura se espalham por uma comunidade indígena. Este é o ponto de partida de “O Deserto de Akin”, que estreia dia (31) nos cinemas de todo o Brasil, explorando a carência de recursos do povo e escancarando como a política afeta aqueles que clamam por auxílio.


Um dos pontos altos do filme reside na forma como ele aborda a questão dos imigrantes no Brasil. Akin (Reynier Morales) demonstra um amor incondicional pela profissão, mesmo que seu desejo de permanecer no país o deixe em conflito com os estigmas, tabus e preconceitos sociais.


Discutir a comunidade indígena e dar voz a ela abre uma porta para debater temas silenciados pela sociedade, evidenciando a força e a resiliência desse povo. Ana Flávia Calvacanti expõe com delicadeza a força da mulher, cuja paixão é a família, e, além disso, quebra esteriótipos ao mostrar a liberdade de amar quem se deseja.


O longa também prova como o preconceito persiste na sociedade e como a comunidade LGBTQIA+ ainda não é respeitada no Brasil. Gustavo Patriota interpreta de forma delicada, um homem apaixonado que, pela arte do amor, vive uma grande história ao lado do protagonista.


A trama presta uma homenagem aos médicos e ressalta a importância da saúde básica no país, e de quem se dedica a ela. O longa-metragem de Bernard Lessa realça o programa “Mais Médicos” como uma porta aberta de esperança e cura para a população.


Ambientada em 2018, o filme explora a iminência presidencial que culminou com a vitória de Jair Messias Bolsonaro e a incerteza de um programa que tinha o povo como raiz de esperança.


Um dos pontos negativos do filme é sua curta duração. Acredito que, se fosse mais extenso, poderia explorar melhor os temas apresentados, criando uma interação ainda mais profunda com o público.


“O Deserto de Akin” é um longa que merece ser visto nos cinemas. É uma experiência que vale a pena vivenciar como espectador, como cidadão e, principalmente, como alguém que ama e preza pelo bem do nosso país.

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