
Estrelado por Wagner Moura, “O Agente Secreto” estreia dia 6 de novembro nos cinemas de todo Brasil, distribuído pela Vitrine Filmes. Na trama, Marcelo, interpretado por Moura, é um professor especializado em tecnologia que decide fugir de seu passado violento e misterioso, mudando-se de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida.
Um dos pontos altos do longa é a forma como ele explora os sentimentos do personagem, que começa a entender a realidade de um Brasil corroído pela política e pela corrupção institucional. O cenário de opressão, vigilância e impunidade transforma o refúgio desejado em armadilha, atuando como um espelho de uma nação em crise.
Em sua passagem por Cannes, o filme conquistou dois prêmios, incluindo Melhor Ator para Wagner Moura, tornando-o o primeiro brasileiro a vencer a categoria, e Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho. Este reconhecimento internacional atesta a força e a relevância da produção.

O elenco reúne nomes como Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Thomás Aquino e Udo Kier. Sua importância é sublinhada pelo fato de ser uma coprodução internacional entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films).
No entanto, há um ponto negativo: o filme não emociona. Ele tem uma narrativa interessante, mas peca em tratar o assunto de forma real. Faltou explorar melhor os personagens, trazendo mais emoção e profundidade ao enredo para realmente envolver o espectador.

Kleber Mendonça Filho revelou que o filme tem como ponto de partida uma lembrança pessoal: o ano de 1977, quando ele tinha apenas nove anos, foi o primeiro a marcar sua memória. A obra nasceu do desejo de filmar o Brasil e o Recife de 50 anos atrás, sob a ótica de quem viveu aquele período como criança.
Assim como em seus filmes anteriores, Kleber utiliza Recife não apenas como cenário, mas como um personagem ativo na narrativa. A cidade, com suas paisagens e sons característicos, contribui intensamente para a atmosfera de tensão e mistério que permeia o filme, enriquecendo a ambientação.

Wagner Moura segue brilhando em “O Agente Secreto”. Conhecido internacionalmente por papéis de destaque em “Narcos” e “Guerra Civil”, ele retorna a uma produção brasileira de grande porte após mais de dez anos, entregando uma atuação merecidamente premiada.
Apesar da ressalva sobre a emoção, a obra é inegavelmente eletrizante, inovadora e criativa. “O Agente Secreto” se estabelece como um filme fenomenal em sua proposta.
Trata-se de uma profunda construção de caráter, de um país em constante mudança, onde a falta de liberdade e de respeito aos direitos básicos, historicamente, são novamente negligenciados pela sociedade.
