“Pecadores”: Terror, Blues e Ancestralidade

Possíveis Indicados ao Oscar

M. B. Jordan estrela um clássico do terror que vai do blues até uma história contraditória de vampiros. Esse é o ponto de partida de “Pecadores”, já disponível no catálogo da HBO Max. O longa apresenta acontecimentos misteriosos, em que uma força sombria começa a perseguir Smoke e Stack, levando a perceber que a lenda realmente ganhou vida.

Na trama, dois irmãos gêmeos tentam deixar suas trajetórias turbulentas no passado e retornam à cidade onde cresceram para recomeçar. Lá, descobrem que um mal ainda mais poderoso está à espreita para recebê-los.

A produção peca pelo ritmo arrastado. A história demora a se firmar e, apesar do carisma de Jordan, a trama não se desenvolve, muito menos assusta.

O diretor Ryan Coogler revelou que o longa foi profundamente influenciado pela força da ancestralidade e pela mitologia iorubá.

A história até tenta criar tensão, mas esbarra em uma estrutura fraca. Em vários momentos, torna-se previsível, já que a narrativa se perde entre muitos temas e não consegue envolver o público.

Um aspecto positivo é que o filme utiliza o terror para abordar questões raciais, além do papel da religião, da música e da guerra dentro daquele universo.

A produção recebeu diversas nomeações, incluindo seis indicações ao Grammy Awards 2026 e cinco ao Hollywood Music in Media Awards (HMMA), principalmente pelo destaque da sua trilha sonora e canções originais.

A música é um dos maiores acertos da obra: exalta a cultura e valoriza comunidades marginalizadas, frequentemente ignoradas pela sociedade.

O filme foi inspirado nas vivências dos avós de Coogler, que passaram pela segregação e pela época da Lei Seca nos EUA.

A maquiagem, assinada por Mike Fontaine, recebeu liberdade criativa para desenvolver próteses realistas, como as usadas nos lábios de Sammie durante o ataque dos vampiros.

A figurinista Ruth E. Carter buscou referências em memórias de infância, na Grande Migração e na cultura Hoodoo para compor o visual do elenco.

Além disso, a produção incluiu detalhes que remetem ao universo Marvel, com elementos cenográficos que fazem alusão a “Wakanda”.

“Pecadores” tem uma boa premissa, mas não alcança o resultado esperado. Em vários momentos, o tema se dispersa na narrativa, e o que poderia ser uma história grandiosa acaba se tornando confuso e pouco tocante.

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