“SIRAT”— UMA TRAVESSIA POR AMOR, DOR E ESPERANÇA

Possíveis Indicados ao Oscar

Imagine que sua filha desapareceu; mesmo sem forças, desistir de encontrá-la não é uma opção. Em “Sirat”, filme que estreia em breve nos cinemas, conhecemos a vida de um pai que ama profundamente sua família e que não abandona a luta por dignidade e respeito.

Na trama, Luis (Sergio Lopes) está viajando pelo sul do Marrocos com seu filho, Esteban (Bruno Nuñez Arjona). Os dois seguem em busca da filha desaparecida há cinco meses, vista pela última vez em um festival de dança no deserto.

Um ponto positivo é a forma como ele consegue mesclar drama e comédia. Existe um equilíbrio na narrativa que reforça sua força como produção internacional, fugindo do óbvio e surpreendendo pela mistura de tons.

A obra é cheia de plot twists; o espectador nunca sabe o que vai acontecer. Além disso, o enredo é sensacional — um drama que realmente merece a notoriedade que vem recebendo.

Há também um confronto entre o homem e a natureza: uma busca incessante por continuar vivendo, ainda sem saber exatamente qual caminho seguir. A trama questiona o público: até onde você iria por amor?

A química entre Sergio Lopes e Bruno Nuñez Arjona é extraordinária. A relação entre pai e filho é muito verdadeira; você sente a dor, os traumas e também o amor que os une, o que emociona profundamente o espectador.

O longa hispano-marroquino, intitulado “Sirât” e dirigido por Oliver Laxe, ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2025, além de ter sido indicado ao Globo de Ouro na categoria Filme Internacional.

Para alguns críticos, o filme é uma “travessia sádica rumo ao inferno, feita para um público masoquista”, além de ser descrito como uma experiência cinematográfica “dura, bela e perturbadora”.

Essa caminhada também simboliza uma luta contra medos e traumas interiores. O protagonista precisa seguir em frente, e fazer isso no deserto, cansado e sem forças, não é tarefa fácil — o que evidencia a fortaleza do personagem.

No Islã, Sirāt é a ponte que toda pessoa deve atravessar no Dia do Julgamento para alcançar o Paraíso.

Um ponto negativo talvez seja a falta de destaque para a música. Embora o filme trabalhe essa premissa, o drama ganha mais prioridade, e faltou entregar o que foi tão vendido na divulgação.

Ainda assim, “Sirat” é uma obra peculiar, não chega a ser uma obra-prima, mas entrega emoção. Com uma linguagem abstrata, mostra a dança como escape e revela que viver essa jornada no deserto exige coragem e determinação.

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