Uma Jornada Emocionante com “Blue Moon”

Possíveis Indicados os Oscar

Dramático e profundamente poético, “Blue Moon” ainda não tem data de estreia definida no Brasil, mas já vem emocionando o público por onde passa. O longa mergulha no universo do showbiz ao retratar um recorte decisivo da vida do lendário letrista da Broadway Lorenz Hart, vivido por Ethan Hawke.

A história se passa na noite da estreia de Oklahoma! (1943), o primeiro grande sucesso da dupla Rodgers e Hammerstein, enquanto Hart se afoga na amargura e no álcool por ter sido “abandonado” por seu parceiro.

Um dos pontos altos do filme é a bela referência ao clássico “Casablanca”.O longa usa a sutileza da obra para reverenciar um dos maiores filmes da história do cinema, onde o amor e o desejo são colocados à prova em uma vontade genuína de amar.

O filme tem uma bela fotografia, uma verdadeira viagem ao passado, ao romantismo e ao extraordinário mundo da música, que toca o espectador com seu jeito simples de falar sobre amadurecimento.

Com um humor ácido, a trama brinca o tempo todo ao fazer sátiras, o que contextualiza a visão do personagem sobre a própria vida e suas frustrações.

É difícil encontrar um filme com tanta entrega, vivendo literatura, sonhando cinema e, principalmente, com o olhar mágico pela poesia.

O longa marca o retorno da colaboração entre o diretor Richard Linklater e o ator Ethan Hawke, que já trabalharam juntos em filmes como a trilogia “Antes do Amanhecer”, uma parceria conhecida por explorar o tempo, os diálogos e as emoções humanas.

O título faz alusão à famosa canção e à “lua azul”, símbolo de raridade, representando tanto o auge quanto a ruína de um artista que escreveu letras incríveis, mas não viveu plenamente.

Margaret Qualley entrega uma atuação arrebatadora. Sua personagem é peça-chave da narrativa: uma mulher independente, movida por sonhos e profundamente amada por um amante das artes.

Em vez de uma cinebiografia tradicional, o filme foca na exaustão e no crepúsculo de um artista, contrastando com obras que falam sobre o nascimento da arte, como Birdman.

Por mais bonito que seja, em alguns momentos o enredo se mostra repetitivo, como um disco arranhado, deixando a desejar na construção da obra.

“Blue Moon” vale cada minuto. Existe uma entrega intensa do elenco, que mergulha no passado, e no poder da canção, quando a vida se torna protagonista na arte de amar.

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