
Dirigido por Kane Parsons, “Backrooms: Um Não Lugar”, estrelado por Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. O longa é baseado na websérie criada por Parsons e inspirado na creepypasta “The Backrooms”, fenômeno mundial da internet.
Na trama, um vendedor descobre uma perturbadora passagem no porão de sua loja para uma realidade paralela. Após o desaparecimento de Clark (Chiwetel Ejiofor), sua terapeuta (Renate Reinsve) decide entrar nesse labirinto infinito de salas amarelas e luzes fluorescentes para tentar resgatá-lo.
Um dos principais problemas do filme está em seu roteiro. Em diversos momentos, a narrativa se torna confusa e incoerente. Mesmo tentando equilibrar drama psicológico e terror, a produção tropeça no desenvolvimento da história.

Apesar de se inspirar em uma das lendas urbanas mais populares da internet, o longa não consegue explorar todo o potencial de sua premissa. Ao tentar abordar diversos temas, a trama perde foco e acaba apostando mais na emoção do que no próprio terror.
O talento de Kane Parsons é inegável. É impressionante ver um diretor tão jovem criar um universo visualmente fascinante, capaz de chamar a atenção da A24 e chegar às salas de cinema. No entanto, a produção parece não desenvolver bem as ideias apresentadas, deixando a sensação de que faltou mais profundidade ao projeto.
Ao apostar fortemente no aspecto psicológico, o filme também se perde ao não definir claramente qual caminho deseja seguir. Não basta apenas inserir temas relevantes na narrativa; é preciso trabalhá-los de forma consistente para que tenham relevância.
Questões envolvendo mitologia, psicanálise e referências à cultura digital são apresentadas, mas acabam sendo desenvolvidas de maneira superficial. Como resultado, discussões importantes para o enredo perdem força. Com uma abordagem mais cuidadosa, o filme poderia ter alcançado um resultado muito mais satisfatório.

Um detalhe interessante da produção é que, em vez de depender apenas da computação gráfica, foram construídos cerca de 2.800 metros quadrados de cenários físicos para reproduzir a sensação de claustrofobia, abandono e o característico zumbido das lâmpadas fluorescentes.
Entre os pontos positivos, destaca-se a estética found footage, estilo que ajudou a popularizar os vídeos originais da internet. A linguagem visual reforça temas como solidão, loucura e a experiência sensorial vivida pelos personagens.
O elenco reúne nomes talentosos como Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett, Lukita Maxwell, Avan Jogia, e Krista Kosonen, que, sob a direção de Kane Parsons, buscam enriquecer a narrativa e dar mais força ao universo criado para o filme.

No fim das contas, mesmo cercado de expectativa, “Backrooms: Um Não Lugar” fica abaixo do que prometia. A produção apresenta boas ideias, uma estética interessante, mas se perde em uma narrativa confusa e pouco envolvente.